Momento Interativo recebe a psicóloga Fabiana Saes para abordar as mudanças causadas pelo novo Coronavírus (COVID-19) na vida cotidiana das crianças

“Estamos cada vez mais próximos das famílias neste momento tão delicado que estamos vivendo, sempre escutando os pais sobre as angústias e os aspectos emocionais das crianças” diz Juliana S. Conte, Diretora da Bosque das Letras, que abriu a conversa promovida entre pais e educadores com a presença da convidada Fabiana Saes, psicóloga, facilitadora de Mindfulness para pais e especialista em psicologia hospitalar.

O Momento Interativo (disponível no Youtube da Bosque) promoveu um encontro síncrono, de forma que os pais puderam participar ativamente da conversa em grupo, trocando experiências e tirando suas dúvidas:

“Sabemos que um terço das pessoas em período ‘pós’ epidemia sofrem consequências emocionais,” aponta Fabiana Saes, referindo-se às angústias, ansiedades, entre outros sintomas causados neste período de incerteza com a Covid-19.

O aspecto positivo da pandemia é que algumas pessoas apresentam também satisfação em estar em casa com as famílias, se mostram tranquilas com a cidade esvaziada e a redução de estímulos, além de evitar o trânsito caótico todos os dias. Por outro lado, quando a convivência é acompanhada de dificuldades devido à sobrecarga de atividades domésticas, trabalho fora ou dentro de casa, bem como demandas das crianças (realização de atividades escolares a distância, atividades de cuidado e lazer), a tensão pode se intensificar.

“É importante que as famílias entendam que é possível perder a paciência e sentir ansiedade e raiva em alguns momentos, afinal, vivemos um período de excepcionalidade. Por isso, manter o diálogo e o acolhimento às crianças poderá ajudá-las a compreender que há momentos difíceis que envolvem sofrimento, mas que é possível enfrentá-los para que se resolvam,” destaca a cartilha sobre a saúde mental das crianças elaborada pela Fiocruz.

Dentre as estratégias para enfrentar o período de distanciamento social durante a pandemia é, por exemplo, organizar a rotina familiar, ter flexibilização, calma e muita paciência, entre outras atitudes, como veremos a seguir.

Conversando com as crianças sobre a pandemia

É importante destacar que é possível explicar às crianças o que estamos passando de uma forma compreensível e honesta, orientar com relação às medidas de cuidado e prevenção da doença, esclarecer dúvidas e permitir que se expressem a respeito. Muitos materiais estão sendo elaborados e sintetizam de forma lúdica e clara algumas informações sobre a COVID-19, tais como o livro intitulado “Coronavírus”, da “Série Pequenos Cientistas”, e a cartilha do Ministério da Saúde, “Coronavírus: vamos nos proteger”.

Como lidar com tudo isso

E para conseguir lidar com tantas emoções, nós precisamos ficar atentos para observar e interpretar os sinais do nosso corpo e mente, assim como dedicar tempo, cuidado e um olhar especial às crianças. Dentre tantas recomendações, destacamos algumas apontadas no Guia da Universidade de Harvard:

  • Ficar informado
  • Manter as coisas em perspectiva
  • Reconhecer as emoções (Por exemplo, a ansiedade tende a aumentar quando buscamos validações, ou seja, reconheça sua emoção com compreensão e então direcione a sua mente para outra coisa: “É compreensível que eu esteja preocupado com a atual situação, e eu entendo que essa preocupação não é a maneira mais eficaz de lidar com o problema”).
  • Praticar a atenção plena (Mindfulness) e a aceitação. Concentre-se em perguntar “e agora?” em vez de “por que?”. Deixe as coisas se desenrolarem e assuma que os outros estão tentando fazer a coisa certa.
  • Acesse a cartilha (em inglês) para mais recomendações para enfrentar o medo e ansiedade.

“Quanto mais consciente eu estiver do que estou sentindo, melhor eu posso reconhecer minhas emoções” afirma Fabiana Saes que revelou que já existem pesquisas na China (onde iniciou a pandemia) que muitos jovens já estão vivendo com o diagnóstico de estresse pós traumático. No entanto, para reconhecer as emoções e os sentimentos é necessário compreender seus significados.

O que é a emoção?

Emoção é um conjunto de programas de ações coordenadas pelo cérebro que gerenciam uma série de alterações corporais e elas acontecem, principalmente com o principal objetivo de aumentar nossa chance de sobreviver.

É uma reação complexa desencadeada por um estímulo externo ou interno (como um pensamento) e envolve reações orgânicas e sensações corporais. Já o sentimento é a experiência mental do que acontece no corpo, é uma ideia, é um pensamento sobre a interpretação do que foi sentido no corpo. Os sentimentos são gerados por emoções e sentir emoções significa ter sentimentos. Portanto, apesar de distintos, emoção e sentimento estão intimamente conectados.

“Imagina que quando compramos um celular, ele vem com aquele pacote de aplicativos para ele funcionar. É assim também que nós funcionamos,” exemplifica Fabiana que destaca as emoções: medo, raiva, tristeza, alegria e o nojo, incluindo também o amor e a surpresa, como sendo emoções universais, isto é, que todo ser humano sente da mesma forma em qualquer lugar do mundo.

“Já nascemos com um pacote pronto de emoções: O medo é o mais latente neste momento, por isso quanto mais consciente o ‘eu’ estiver do que está sentindo, maior condição há para tomar as melhores atitudes,” diz Fabiana

Dentre as reações emocionais e alterações comportamentais frequentemente apresentadas pelas crianças durante a pandemia, destacam-se:

  • dificuldades de concentração,
  • irritabilidade,
  • medo,
  • inquietação,
  • tédio,
  • sensação de solidão,
  • alterações no padrão de sono e alimentação.

“O medo, estresse e a irritação servem como um termômetro para reconhecer o momento que estamos vivendo. Temos que tomar consciência, reconhecer e cultivar a acalmar. Ao mesmo tempo, precisamos estar tranquilos para conseguir lidar com as necessidades de nossos filhos. Prestar atenção no que estamos vivendo é a chave disso,” revela Fabiana.

A verdade é que na hora do estresse acentuado e a dor nós perdemos nossa habilidade da comunicação e, muitas vezes, usamos estratégias autoritárias com os filhos. “O que difere o ser humano dos animais é sua capacidade de comunicação. O aprendizado é reconhecer os momentos que passamos dos limites e ir conversar com as crianças sobre isso, expressando nossos sentimentos e mostrar os pontos que estamos errados. Errar é humano. Temos que ter a humildade de reparar os erros e aprender com isso,” diz Fabiana.

Como fazer o estresse um amigo

“O estresse faz seu coração bater forte, sua respiração acelera e sua testa sua. Mas enquanto o estresse se tornou um inimigo da saúde pública, uma nova pesquisa sugere que o estresse somente é ruim para você se você acreditar que esse é o caso” afirma a psicóloga Kelly McGonigal que numa apresentação no TED (série de conferências destinadas à disseminação de ideias) ela nos incita a encarar o estresse como uma coisa positiva e nos apresenta um mecanismo desconhecido para redução do estresse: aproximar-se dos outros.

“O estresse é benéfico na nossa vida para mudar a relação internamente no nosso corpo para lidar com as dificuldades,” acrescenta Fabiana. “No experimento de colocar um doce na frente de uma criança, ela pode escolher comer ou esperar, e se ela esperar ganha mais um as que esperam têm a habilidade chamada ‘controle inibitório’ mais desenvolvida. A mesma parte do cérebro é ativada quando reconhecemos e as emoções e sentimentos, sendo benéfico para nossa sobrevivência.”

Os desafios e aprendizados diários com crianças

Como dar o amor e atenção que o filho precisa? Todos nós nascemos com necessidades: ser amado, de entretenimento, de limite e de orientação. Agora, como estabelecer os limites às crianças e demonstrar que eles são amados?

“É possível estabelecer limite com afetividade. As crianças precisam saber até onde elas podem ir. Neste momento de pandemia, revise seus próprios limites, pois a criança vai testar e ultrapassar os limites, por isso temos que guiá-las. Precisamos ser coerentes tomado as decisões dentro da realidade de cada família,” explica Fabiana.

“Todo ser humano quer ser feliz e ser livre de sofrimento. As crianças estão em formação e as experiências estão moldando a criança. Por isso temos que ser coerentes com nossos valores,” acrescenta.

Afinal, como vocês podem ajudar seus filhos?

Na prática, saiba que é possível garantir uma boa noite de sono ao final de um dia cheio de preocupações e dificuldades, basta começar a destacar as coisas boas do dia, desde o simples como por exemplo, ver o sol nascer (quando seu filho insiste em te acordar muito antes que você planejava).

“Dormir com a sensação de que também aconteceram coisas boas, agradecer pelos momentos felizes do dia. Um exercício é convidar seus filhos a elencar as coisas boas que aconteceram ao longo do dia. Isso melhora a sensação de bem-estar e diminui as angústias,” ensina Fabiana.

“Algo que eu comecei a fazer no início do ano: o pote da felicidade. Todos os dias, antes de dormir, escrevo um momento bom em um papel e coloco no potinho. Um potinho de vidro. Faz diferença,” revela a mãe Marina Passalacqua Godoy Sitchin.

Outra dica para você e seus filhos lidarem com a irritação vem da coordenadora da Bosque das Letras e professora de Yoga, Daniela Onisanti: “Tem um mestre de Yoga que fala que ‘Toda infelicidade é causada pela dispersão mental’. Estamos sempre focados no passado e futuro e o único tempo que temos é o presente e não vivemos isso. Reconhecer o agora é tudo que temos,” completa.

Curso Mindfulness para pais

A psicóloga Fabiana Saes estará ministrando o Curso de Mindfulness para pais, ao sábados, nos próximos meses de agosto e setembro.

Os contatos dela são:

E-mail: fabiana@brace.net.br

Whatsapp: 11 96081-0404

Instagram: @brace.net.br e @fsaes

 

 

Bosque das Letras – Uma escola para brincar, criar e aprender.

www.bosquedasletras.com.br

#EscolaBosquedasLetras #EmCasa #Quarentena #EducacaoInfantil #DistanciamentoSocial

#Pickler