Organizar a rotina das crianças, da casa, do trabalho em meio ao período de distanciamento social é um desafio para todos. Por isso selecionamos algumas dicas da educadora Carmen Orofino e ensinamentos da pediatra húngara Emmi Pickler para conseguir aproveitar o tempo com as crianças e com nós mesmos:

  • Envolva a criança nos afazeres domésticos:

Todo o contato com a casa, objetos e rotina do lar podem virar ‘brincadeira’ para as crianças, que têm a capacidade de desenvolvimento e aprendizado em situações triviais, como por exemplo, explorar as panelas e colheres de pau enquanto a família prepara os alimentos, além de ser uma tarefa para preencher o tempo de todos.

  • Observar a criança com respeito:

É reconhecer suas descobertas. Quando sabemos que ela tem seu espaço seguro, está alimentada e higienizada, fortalecida emocionalmente por esses cuidados, podemos deixá-la livre para brincar com autonomia.

  • Valorizar a produção da criança

O adulto valoriza a produção da criança, mostrando que está atento ao que ela faz, mas sem vincular sentimentos, pois dessa forma a criança fará algo para deixar o adulto contente e não para satisfazer a si própria Precisamos validar os sentimentos da criança e esses ‘momentos da vida’ onde o que vale é a realização de algo proposto por elas mesmo. Desta forma olhamos para a criança de uma forma respeitosa e inteligente, pois ela faz as coisas pela satisfação a si mesma e não pela satisfação dos adultos.

  • Preste atenção o que e como fala com a criança

Retirar a opinião pessoal diante da insatisfação de algo que a criança fez: por exemplo, “eu não gostei do que você fez”. Substituir por “aqui na nossa casa não fazemos…” ou “como combinamos, faremos da seguinte forma”. Frases como “eu percebi que está difícil para você”, “realmente dá muita vontade de fazer isso, por isso eu vou te ajudar” fazem com que a criança se sinta percebida e acolhida.

  • Deixe a criança se expressar e vivenciar

Deixe a criança se expressar e vivenciar,  sem mostrarmos, sem falarmos e explicarmos o tempo todo as coisas para a criança. Tiramos a possibilidade da criança de perceber que ela consegue se comunicar. Quando ela percebe que não é entendida na comunicação, no olhar, nos gestos, nas falas, ela chora para se fazer entender, devido a angústia da falta de compreensão. Quando a criança chora, muitas vezes o adulto resolve com a mamadeira, a chupeta, o celular, etc. Até vale um recurso de conforto para a criança, mas é necessário antes acolher e mostrar que você entendeu as necessidades dela. Os momentos de transição são os  de maior instabilidade, hora de se locomover de um lugar para o outro, por isso é muito importante antecipar as ações à criança, ou seja, explicar o que será feito a seguir.