Como transformar a rotina de cozinhar em um momento agradável em família com ajuda dos filhos

Quando somos crianças queremos brincar, criar experimentos e explorar o mundo. Nesta fase, evoluímos o tempo todo, estimulados por tudo a nossa volta e por nossos relacionamentos pessoais. Mais tarde percebemos que as lembranças que ficam na nossa memória remetem à brincadeiras e sentimentos cheios de sabores e cheiros.

Cozinhar em família é uma ótima oportunidade para criar laços e fortalecer vínculos, ajuda a desenvolver valores como colaboração, paciência, organização e ainda estimula a imaginação das crianças, através do mundo de possibilidades da preparação dos alimentos. 

“Em tempos de confinamento todos nós temos nos desdobrado para dar conta de toda tarefa doméstica e cuidados e atenção às crianças. E sabemos o quanto não tem sido fácil entreter os filhos enquanto almoço, jantar e intermináveis lanchinhos são preparados ao longo do dia,” afirma Camila Freitas, nutricionista da Escola Bosque das Letras.

Então, por que não aproveitamos esses momentos necessários na cozinha e chamamos os pequenos para participarem do processo?

“Lavar a salada e as frutas, picar hortaliças com as mãos, encontrar as tampas dos recipientes plásticos, descascar ovos cozidos, ajudar a lavar a louça e colocar a mesa são tarefas que os menores de 2 e 3 anos podem realizar com tranquilidade. Para os maiores com 4 e 5 anos já é possível escolher o feijão, descascar uma cenoura e cortar legumes para a sopa ou frutas para a sobremesa, sempre com supervisão. Para facilitar esse processo e evitar acidentes é conveniente cortar previamente o alimento em tiras e oferecer uma faca sem ponta e com corte suave,” explica Camila que além de comandar o projeto ‘Além do Nutrir’, que garante pratos multicoloridos às crianças da Bosque e seus três filhos.

No livro “Crianças francesas não fazem manha” da jornalista americana Pamela Druckerman, por exemplo, ela relata hábitos de crianças parisienses acostumadas a fazer bolos com os pais desde os 2 anos de idade, demonstrando que o interesse das crianças pelos alimentos passa através das experiências. 

Na teoria, ler e comentar é fácil, agora colocar em prática é uma tarefa que exige paciência dos pais que devem se esforçar o máximo para manter o clima de harmonia na cozinha enquanto preparam as refeições, pois fatalmente algum ingrediente vai cair para fora da tigela e a bagunça ( brincadeira para as crianças) vai prevalecer.

Cozinhar e ver a transformação do alimento é magia pura. E levar as crianças para a cozinha permite que entrem em contato com o alimento de forma mais profunda do que o “simples” comer. Há a oportunidade de sentir as diferentes texturas e aromas, maior familiarização com alimento e aumento da aceitação aos novos sabores,” ensina Camila que já deu dicas valiosas de como a família e a escola podem fazer a diferença na alimentação das crianças.

São tantos os aprendizados quando cozinhamos juntos com as crianças! Além de entreter a criança enquanto realizamos uma tarefa necessária, despertamos o interesse por alimentos desconhecidos ou rejeitados: 

“Trabalhamos a autoestima da criança, por se sentir capaz de produzir algo para quem ama e temos a oportunidade de aumentarmos o vínculo com nossos filhos.  Neste momento, espera, concentração, disciplina e partilha são outros importantes aprendizados. Nada será tão gostoso e divertido quanto sovar um pão em família, acompanhar o crescimento da massa e sentir o perfume de pão assando no forno tomando conta da casa. Sem contar os momentos preciosos de carinho, conversa e cumplicidade vivenciados entre pais e filhos enquanto esperam a comida ficar pronta. Lembranças marcadas na memória e no coração,” completa Camila.

Bosque das Letras – Uma escola para brincar, criar e aprender.